Escrito por Jairo às 20h22
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LIBERDADE PARA UM VIOLÃO
Recebi de José Marti e repasso. Já conhecia a história da casa de Lorena, a maior paraibana barranqueira que conheço. Atravessa a nado o Velho Chico todas as manhãs.
Em Campina Grande-PB, boêmios faziam serenata, quando a polícia apreendeu o violão. O grupo recorreu ao advogado Ronaldo Cunha Lima, que também apreciava uma boa seresta.
A petição que elaborou ficou conhecida como "Habeas Pinho". Mais tarde, Ronaldo Cunha Lima tornou-se um político importante. Eis a petição:
HABEAS PINHO
Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca :
O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola.
É simplesmente, doutor, um violão.
Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.
O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade.
Ao crime ele nunca se mistura.
Inexiste entre eles afinidade.
O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.
O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.
Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.
Mande soltá-lo pelo Amor da noite
Escrito por Jairo às 19h25
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