Escrito por Jairo às 20h22
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LIBERDADE PARA UM VIOLÃO
Recebi de José Marti e repasso. Já conhecia a história da casa de Lorena, a maior paraibana barranqueira que conheço. Atravessa a nado o Velho Chico todas as manhãs.
Em Campina Grande-PB, boêmios faziam serenata, quando a polícia apreendeu o violão. O grupo recorreu ao advogado Ronaldo Cunha Lima, que também apreciava uma boa seresta.
A petição que elaborou ficou conhecida como "Habeas Pinho". Mais tarde, Ronaldo Cunha Lima tornou-se um político importante. Eis a petição:
HABEAS PINHO
Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca :
O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola.
É simplesmente, doutor, um violão.
Um violão, doutor, que na verdade
Não matou nem feriu um cidadão.
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.
O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade.
Ao crime ele nunca se mistura.
Inexiste entre eles afinidade.
O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.
O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.
Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua.
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.
Mande soltá-lo pelo Amor da noite
Escrito por Jairo às 19h25
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Fiz esta paródia da "Canção do Exílio" de Gonçalves Dias em homenagem a Paulo Machado, por ocasião da sua ida ao Québec para a realização do mestrado. Isto em 1994. Neste ano aproveitei para inseri-la na orelha do seu livro Notícias e Saudades da Villa Nova da Rainha, alíás, Senhor do Bonfim. Na versão final a paródia resvalou da "orelha" para a folha de "rosto". Ei-la:
CANÇÃO DO EXÍLIO CANADENSE
Minha terra tem favelas
Onde moram desnutridos.
Os bebês que aqui choram
Não têm choro tão sentido.
Nosso chão tem mais estrelas
Nossas casas mais goteiras
Nossas vidas têm mais dores
Nossa morte mais horrores
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá
Sem que ajude a minha gente
A palmeira replantar
E à sombra da palmácea,
Ainda que triste, sonhar.
E ouvir, mesmo que longe,
O canto do sabiá.
(Jairo Sá)
OBS: Paulo Barista Machado é escritor, PhD em Educação e atual vice-prefeito de Bonfim.
Escrito por Jairo às 05h19
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